Tribuna do Interior

Tocantins, Segunda-feira, 01 de junho de 2020.
12/04/2017 - 09h32m

Sem afinidade com a "dinda", Auri-Wulange, ex-prefeito, não foi convidado para rega-bofe

Do Portal CT 
Divulgação

Auri-Wulange Ribeiro Jorge, ex-presidente da Associação dos Municípios do Bico do Papagaio (Ambip), é também um ex-prefeito. Ele administrou Axixá do Tocantins entre 2013 e 2016. Contudo, não estava na solenidade de lançamento da Associação dos Ex-Prefeitos do Estado, sábado, 8, na residência da senadora Kátia Abreu (PMDB), em Palmas. Motivo: não foi convidado.

O ex-presidente da Ambip não tem dúvida do motivo pelo qual o convite não chegou para ele: sua total falta de afinidade com a "dinda" da associação. Auri-Wulange garantiu que muitos outros ex-prefeitos também ficaram de fora do rega-bofe inaugural da entidade pelo mesmo motivo. Assim, o ex-gestor de Axixá do Tocantins não pestaneja para afirmar: "? uma associação com cunho totalmente eleitoreiro, que nasce morta. Querem colocar cabos eleitorais nas ruas e utilizam uma estratégia das mais fracassadas e espalhafatosas".

Auri-Wulange tem certeza de que muitos desses ex-prefeitos convidados para a solenidade na residência da "dinda" não têm nem consciência do que está acontecendo. Advogado, o ex-presidente da Ambip avalia que, dado o desconhecimento jurídico, muitos dos convivas de sábado acreditam cegamente no que ouviram, uma vez que a senadora se referiu a nomes que abrem qualquer porta: do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, Corte onde vários filiados da associação estão pendurados; passando pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem cara de bravo e sob os braços os "cabritos" de tudo quanto é acusação contra ex-gestores; até o presidente do Tribunal de Justiça, Eurípedes Lamounier, que Kátia disse ter garantido os defensores à disposição das causas que assombram esses líderes, ainda que a Defensoria negue ser um "puxadinho" da maior casa do Poder Judiciário tocantinense.

Para Auri-Wulange, por não terem conhecimento técnico, muitos ex-prefeitos estão certos de terem encontrado o caminho do Santo Graal com esta associação. Mas, vacinado, o ex-prefeito de Axixá disse não se deixa levar pelo bico doce de ninguém e azedou ao avaliar o que considera "manobra eleitoreira" de Kátia: "Ela é senadora, nem todos a conhecem. Mas quem a conhece sabe não cai nessa".

Auri-Wulange retorna a um passado bem recente e assegura que Kátia teve, e perdeu, a oportunidade de ajudar de verdade os ex-prefeitos. Afinal, lembra, ocupou o cargo de ministra da Agricultura e a função de amiga íntima da então presidente da República, Dilma Rousseff (PT), segundo a própria peemedebista propalava a quem quisesse ouvir.

Para o ex-presidente da Ambip, a senadora tocantinense poderia ter utilizado toda essa influência junto à Presidência e ministérios para trazer recursos aos municípios, para que os que hoje são ex-gestores pudessem ter trabalhado e melhorado o serviço de seus municípios. Assim, defende, teria evitado 90% dos problemas que agora tenta resolver com a suposta amizade junto a tribunais e personalidades que estampam as manchetes de jornais. Auri-Wulange ressalta que os "abacaxis" que os ex-prefeitos agora têm para descascar não foram causados por falta de gestão, mas "por falta de recursos para fazer gestão".

O ex-prefeito de Axixá lembra que as administrações que terminaram em dezembro não tinham recursos para o básico e, reclama, em nenhum momento, a senadora contribuiu para amenizar o desespero de gestores e comunidade. "O que assistimos foi uma ministra envaidecida com o cargo, viajando o mundo e esquecendo dos problemas do Estado que hoje ela tanto critica", recorda-se Auri-Wulange.

Na região dele, o Bico do Papagaio, o ex-prefeito contou que Kátia só foi antes da campanha de 2014 para prometer 16 mil casas populares, das quais, assegura, "não conseguiu entregar uma sequer". "Agora reaparece, novamente às vésperas de um ano eleitoral, prometendo o céu", diz.

Sobre o resultado de toda essa estratégia em torno da Associação de Ex-Prefeitos, Auri-Wulange garante que é tão previsível quanto roteiro de novela, mas sem final feliz: "Se não conseguiu nada quando era amiga da presidente, imagine agora que é adversária", prevê.

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